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Eu não gosto de Carnaval!

01/03/2011

Eu não gosto de carnaval. Não pelo fato de não gostar de dançar axé uma vez ao ano. Além dos motivos clichês a lá “O ano só começa depois do Carnaval!” “A televisão consegue ser pior do que normalmente!” “Corpo corpo corpo, Brasil!”. O meu motivo é outro. Eu nunca tive um bom carnaval. Nem quando pequenina. Ignorando o fato de que fui uma única vez em um carnaval à noite, quero relatar um ocorrido, quando aos 6 anos de idade. Vesti-me de  Jeannie é um Gênio, a fantasia a qual minha mãe era apaixonada, e eu sinceramente adorava, à não ser pelo apetrecho nos cabelos, que eu sinceramente, detestava. Cheguei a chorar escondida no banheiro da Vovó, momentos antes de ir para o Carnaval da tarde, enquanto me chamavam para tomar o café, ô dó. Sinceramente, não consigo recordar o motivo exato da minha choramingação solitária. Enfim, eis que existiam os desfiles de crianças e suas fantasias, no palco, e elas sambavam. Fui sozinha me inscrever, e a mulher gorda, sentada sem amor à vida, me olhando como se fosse mais uma criança insuportável tomando seu tempo, fazendo-a escrever meus dados, sem cultura serialística alguma, não sabia quem era  Jeannie é um Gênio, muito menos escrever o pronunciado, e ainda perguntava vezes e vezes para repetir, ou explicar minha fantasia, como se eu fosse uma criança fora da casinha dizendo aquele nome. Colocou feiticeira. Tudo bem – apesar de minha quietude em não implicar com minha noemação, afinal o cantor que provavelmente iria anunciar minha triunfal entrada, não iria pronunciar corretamente, eu estava revoltada com aquela situação. Mas tudo bem, compreensível que era, não palpitei, e tudo bem! No palco, tendo de sambar para aqueles pentelhos suados, ajuntando aqueles confetes molhados da cerveja de seus respectivos pais, e as meninas com aqueles shorts pretos, justos, com um olho em cada nádega, e vendo as minhas concorrentes com suas fantasias de cigana, com minha timidez infantil, movendo meus pés timidamente tentando sambar sem me mover, não foi o melhor momento da minha vida. Mas conheço minha infelicidade ainda, de outros carnavais. Como no meu primeiro carnaval sem a luz do sol fora do ‘galpão’ sufocador, o qual tive de cuidar de choradeiras e bebedeiras amigáveis, no sentido substantivo da palavra, nada de adjetivista. Podem invejar meus carnavais. Invejem. E hoje, uma semana do Carnaval com meus 18 anos completos, sinto em ser pessimista, mas não estou confiante de que superarei meu trauma carnavalesco. E nessa época do ano, sempre acabo por sentir minha falta de alma brasileira acentuar-se.

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3 Comentários leave one →
  1. 02/03/2011 1:01 AM

    OI BAH, P/ REVERTER TUDO ISSO OU ISTO???
    SÓ INDO PARA O RIO DE JANEIRO E SEGUIR OS BLOCOS NA RUA UM FINAL DE SEMANA ANTES DO CARNAVAL E DESFILAR NUMA ESCOLA OU APENAS ASSISTIR NAS ARQUIBANCADAS. – NÃO TEM QUEM COMO RESISTIR.
    BOM CARNAVAL DOMESTICO POR ENQUANTO.
    BJ

  2. 01/03/2011 2:00 PM

    oi barabara, somos duas. tambem nunca gostei muito de carnaval. talvez pela falta de “fantasia ” nas escassas fantasias. nao me divirto nessa epoca. aqui, menos ainda. te entendo…. beijo da tia.

Trackbacks

  1. Buenos Aires sobre duas rodas « Barbaridades

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