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Barbuletas

16/02/2011

   Barbuletinhas, na barriguinha, da barbarinha, acelerando o coração… lala la lá…

   Sabe, as barbuletinhas sempre me acompanharam nessa ‘loooonga’ jornada vital, de 18 anos e alguns meses, dias, horas, e seus segundos. Minha lembrança mais longínqua destas, são lá no ensino fundamental, do colégio Ativa, da aula da professora Celoí, das provas de Matemática, e minha ansiedade em plena 3° série. Mas lembro que esta mesma professora, me chamava de Barbuleta. Um dia, pela primeira vez ela usou esse termo: “Barbuleta, vem cá”. Instintivamente eu fui, e ela me pediu “Como sabia que era você?”. Não lembro da minha resposta, mas foi instintivo. E essas barbuletas ansiosas, pulsantes, enlouquecidas por sair da minha barriga, em momentos de tensão, mas gostosos, deliciosos, mesmo que aflitos. Como nos momentos pré-vestibular. Ou como no momento, no qual estava eu, deitada na minha cama, na madrugada de 14 de janeiro, com a luz apagada, olhando para aquelas barbuletas coladas no teto do meu quarto com sua fosforescência diluindo-se dentre a escuridão noturna, pensando, e rindo sozinha, falando sozinha “Eu vou passar, Meu Deus, eu vou passar!” “E se eu passar? Meu Deus, eu só preciso de 48 na redação, eu consigo, eu consigo né” “Ahhhh, eu preciso dormir, Deus, manda um sinal” – olhava no relógio, e buscava sozinha, meus próprios sinais no horário, quando soou 48 minutos, as barbuletas ignoraram meu corpo, e fizeram uma farra instantânea. Eu sorria sozinha, imaginando às futuras 10 horas do dia que já havia chego, mas não começado. Mas as barbuletas estiveram muito mais presentes em momentos talvez mais aflitos e decisivos na minha vida. Lembro-me no momento em que o fiscal estava lendo aquelas informações, as quais já havia decorado há alguns vestibulares atrás, olhando para o lado – meus concorrentes – conferindo minha água, meu halls, minhas 4 canetas, lapizeira e borracha, tentando ler alguma questão quem sabe visível com a prova ainda no seu estado não decifrável, me dizendo: “Você tem chances ainda. Não passou nenhum minuto, e você ainda não se desesperou com nenhuma questão”. Bom, as barbuletas nesse momento não eram-me muito úteis ou agradáveis. Eram detestáveis para falar a mais pura e frustante verdade. Elas na realidade voavam por todo meu corpo. Se instalavam no meu joelho quando a prova começava, e se encarregavam de fazê-lo mover-se incontrolavelmente. Involuntariamente. E eu, posicionava meus cotovelos na mesa, ia para frente, com minhas costas normalmente retas no seu estilo anormal de ser, mas muito elegante, modestamente me gabando, e lia como se aquilo fosse uma prova para não morrer, ou para poder viver retoricamente dizendo. Como se fosse me salvar, minha vida estava em jogo. Naquela primeira questão, até a última, até o momento do gabarito ser preenchido com aquelas bolinhas tremidas, as quais, para fazê-las perfeitamente, eu quase furava aquela maldita folha com a escrita vermelha, bem do “666”.  E hoje, hoje, hoje… as barbuletas vieram visitar-me uma vez mais. No momento das malas. De ouvir conselhos. De imaginar os futuros acontecimentos. O dia 21. A segunda-feira. Minhas idealizações começam a se criar na minha cabeça idealizadora. Em tudo. É uma loucura. Minha ficha ainda não caiu. Mas as barbuletas estão presentes. Sempre voltam. Segunda estarão fazendo uma festa dentro de mim. Barbuletas, barbuletas… elas sempre voltam, e eu estou feliz, tão feliz!

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2 Comentários leave one →
  1. Manuela M. permalink
    16/02/2011 1:13 AM

    Adoreiiiiiiii o texto!! Apesar da distância, apesar de não termos se visto o tanto que planejavamos e não deu certo, desejo toda sorte do mundo pra você!!! Tenho certeza que você vai amar a vida universitária, você tem todo direito de ser feliz pelo tanto que lutou pra ter oque tem agora, a FACULDADE! hehee.. e vc sempre vai tar guardada no meu coração como a best ;)

Trackbacks

  1. Aquela coisa « Barbaridades

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