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Mãe

13/11/2011

Toda vez que lhe dou um beijo de despedida, uma certa insegurança deperta-se  instantaneamente dentro do meu peito. A tal da dor no peito, vazio no peito, tanto ouvimos falar desse peito que só se encarrega das sensações angustiantes. Essa dor no peito é totalmente racional, pode não ser física, mas existe. É tão real que torna-se quase que concreta, palpável… Talvez possa ignorar o tal do coração e encarregar o peito, o aperto no peito do pequeno sofredor como protagonista. Ah, que sofredor o que?! Isso não é sofrer, não foi, nunca será. Não é sofrimento Mãe. Não é tristeza. Não estou triste. Também não fico feliz de vê-la indo embora, apesar de rir quando lhe vejo abrindo a porta do carro loucamente em movimento para dar um último tchau e lembrar de fechar a janela da cozinha para os passarinhos não usarem na manhã seguinte como local de necessidades fisiológicas. Vida… A tal da vida complexa de se entender, e essas tais lágrimas complexas da mesma maneira. Ambos incontroláveis. Sem razão. Sem motivo. Existo porque existo, e aí? Choro porque choro, e aí? E aí nada. Essas lágrimas talvez representem unicamente um amor. Um amor tão puro, tão verdadeiro, sincero, intenso, superador, encantador,  poderoso, eterno, único. Emoção. É tudo uma ligação, sem extremidades. Sem classificação ou denominação. Sem feliz, nem triste. Apenas emoção, amor, lágrima. Vida. Vida que nos faz dar um tchau para desejar aquele Oi às 5h da manhã pego de surpresa. Desejar um abraço, um beijo. Vida que nos faz darmos voltas no mundo, e por fim desejar sempre aquilo, aquela face, aqueles braços, aquela comida, aquele carinho, aquele sermão, aquela voz, aquela ligação, aquele amor, aquelas lágrimas, aquele abraço, aquele conforto, aquele quarto, aquele café. Vida que nos faz de intrusos em outra vida desde nossa inexistência, e logo faz sentirmos-nos folgados o suficiente para fazer alguém comer em dobro por nós, faz alguém sonhar por nós. Faz alguém deixar qualquer egocentrismo para lutar por nós, desejar por nós. Deixar de fazer ou ser por nós. Vida que de repente, sem ideia, sem noção alguma do que está por vir, sem motivo, sem certeza, aceita o tal do intruso com o impossível que puder oferecer. Vida que está ali, ali preparada, esperando pelo o que for, para fazer o que for. Vida que no primeiro olhar, na primeira bochecha colada com a de seu novo intruso tão bem vindo em tão pouco tempo, faz um amor incansável nascer, assim, tão simplesmente, mais que recíproco. E vida que logo se encarrega dos próximos passos e a liberdade soa, o intruso voa… Mas volta, e sempre volta. Sempre quer voltar. Precisa voltar. E querer voar novamente, e voltar insistentemente para outro beijo lhe dar. Se da primeira a última palavra que escrevi até agora escrevi com lágrimas, eu só posso lhe traduzir como amor! Lhe traduzo como amor tantas cartinhas que já foram parar embaixo do seu travesseiro, assim como todos os abraços que lhe dei, assim como tocar a campainha do nosso lar as 5h da madrugada, assim como… Assim.

Feliz Aniversário Mãe!

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6 Comentários leave one →
  1. 16/11/2011 2:27 AM

    Jesus, chorei aqui…que texto incrível…muito muito especial!
    beijo

    http://melnomundodamoda.wordpress.com
    @melmundodamoda

  2. Kazumy permalink
    14/11/2011 8:08 PM

    Muito lindo…Parabéns a Barbara, a tia Sônia, momentos únicos!!!!

  3. PAULA permalink
    14/11/2011 2:15 PM

    Bah …tu mata todo mundo do coração!!!! Tbem quero um livro!!!! Um grande Bjo Afilhadinha

  4. 14/11/2011 11:07 AM

    Obrigada Deus.
    Obrigada Bazinha.
    …no primeiro olhar, na primeira bochecha coladinha…
    Bah Bih , Minha vida.

    Rolou lagrimas aqui tb, e muitas.
    te amo linda.

  5. NOERLI permalink
    13/11/2011 11:06 PM

    FELIZ BARBARA
    FELIZ GABIH
    FELIZ NANDO
    FELIZ SONIA – COM SEUS GRUDES, COM SEU 13, COM SUA FEGRIA.

    BARBARA QUERO UM LIVRO INTEIRO, OU UM MONTÃO DE CONTOS.
    BJS

  6. 13/11/2011 9:18 PM

    Feliz aniversário!

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