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Tomate

31/08/2012

Minha relação com o tomate, lá quando pequena, até que era boa. Talvez seja porque eu não tinha voz e autoridade suficiente para impedir que o vermelhinho chegasse ao meu estômago, e aceitava, simplesmente assim. Mas eu fui crescendo, e como toda boa criança anêmica, segundo a benzedeira que dava garrafadas e garrafadas nunca finalizadas, que só colocava o caldo do feijão no prato, e Aiii do coitado do grão de feijão que ousasse bancar uma de intrometido, eu odiava tomate. E não só tomate. Eu odiava salada. Mas calma. Tinha a beterraba. Beterraba que tanto amo e ocupará o topo da delícia saudável eternamente em meu cardápio ainda prematuro. Eu não sei como, nem aonde, nem quando, mas beterrada deixa meu prato roxo desde sempre, em todo almoço por Kg que frequento, pois sempre foi raro rolar beterrabas lá em casa, bem diferente da frequência de rolar tomates. Eu e minha irmã sempre tivemos uma tendência a odiar os mesmos alimentos. Detestá-los. Assim como o alface, o qual meu pai propôs em um almoço de sábado 100 mangos para quem comece 5 míseras folhas do maldito. Ninguém comeu. Minha irmã tentou. Eu mal ousei. Mas voltemos ao foco, a estrela da vez é o tomate.

Minha repulsão por tomates então, tornou-se algo marcante. Cachorro quente, macarrão, panquecas de carne moída, pizza e qualquer outro alimento que pedia o vermelhinho, eram uma frustração para minha pessoa. O jeito era ir tirando um por um, e esse dilema me torturava até agora, com quase plenos 20 anos. Ouvi muito, fui criticada e taxada como uma pessoa não saudável e enjoadinha, e a surpresa maior sempre foi ao fim da frase “Eu não como salada…” soltar um “… apenas beterraba!”. O espanto era geral. Mas também motivo de risos, pois segundo meu pai e minha irmã, eu apenas pego beterraba em almoços por Kg para deixar o arroz roxo – o que não é verdade e já cansei de contradizer. Entretanto, de uns tempos e almoços por Kg para cá, um tomateiro de plantão começou a fazer questão que eu tentasse me acostumar com aquela coisa vermelha de textura suspeita. E eu aceitei o desafio. Já sentia a pressão por minha irmã ter alavancado tanto na vida e estar ingerindo até mesmo couve-flor. Fui tentando, aceitando… E gostando. Gostando tanto, mas tanto, que meus clássicos pedidos de lanche maringaense passaram de “um duplo sem salada” para “um duplo sem alface”. Hoje como tomate até em casa, corto rodelas para toda e qualquer refeição. Hoje preciso de tomate, e passei a me sentir adulta por isso. Comer salada é interessante demais. Sempre via as pessoas enchendo o prato de coisas coloridas vindas da natureza, e admito ter me sentido mal muitas vezes por só entender o gosto da carne. Beterraba ainda é minha amada, mas tomate, ah, o tomate… Por enquanto a estrela é ele. Um milagre de cada vez!

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2 Comentários leave one →
  1. Sonia permalink
    01/09/2012 1:00 PM

    Como eu tentei inserir o dito cujo em sua alimentaçao, mas foi em vão.
    Logo, logo seu prato estará colorido. Espero.
    Tb achei divertido e bem escrito.
    Bj Bah
    Mamis

  2. pedro bitencourt permalink
    31/08/2012 3:16 PM

    Muito bom, gostei bastante amor, bem escrito e divertido também! (=

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