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A verdade sobre ser caçula

05/09/2012

Não é inveja, eu juro! Mas quando ganhou o apontador vermelho e eu o azul, eu queria ter ganho o vermelho, mesmo esses sendo idênticos. Assim como quando ficou com a blusa branca e eu a bege – me arrependi profundamente por não ter pego a branca. A filhinha da Barbie, mesma coisa! Suas Barbies de cabelos inteiros e caixas de lápis de cor sempre completas com todos eles grandes e pontudos, enquanto as minhas com cabelos de pontas duplas e meus lápis perdidos e desproporcionais, de caixinha amassada, sempre me deixaram desejando ser diferente. Seu apontador do Mickey? Eu queria aquela manivelinha para mim, no meu quarto! E isso continua na bolsa de bolinhas preto e branco que eu tinha, e você a vermelha. Eu devia ter comprado a vermelha, eu sabia! E quando você repassou para mim, ela simplesmente perdeu a graça. E não é felicidade de você estar à milhas de distância de mim, aí na Holanda, é só que eu adoro suas roupas, como sempre adorei e as vezes pegava sem permissão, e poder usá-las sem invadir seu quarto como uma maníaca em ação na sua ausência, é legal, apesar de ainda assim eu preferir correr o risco de ser pega no ato. E isso tudo acontece desde quando eu te imitava com toda a cara de pau dos 3 anos de idade no pliê! Não vou nem citar seus cabelos serem naturalmente lisos.

Ser caçula é difícil. Pode parecer que somos mais paparicados e defendidos pelos pais, o que talvez aconteça, mas só na presença deles. Eu sempre sofri, e sofri muito. Nunca tive direitos sobre a TV, nem sobre a internet. Sempre precisei cortar o tomate e a cebola, porque não sei fazer panquecas. A louça? Sempre minha. Sofrer um ataque de dinossauro, sempre foi comigo! Sempre precisei esperar mais tempo para ganhar o celular, o computador, a bicicleta, o diskman, sair à noite, ir dormir tarde… É difícil! E eu sei que foi maldade ler umas páginas do seu diário. Mas isso é ser caçula. É ser chato sem querer. É ser chato querendo ser legal, querendo que você passe um dia sem tirar sarro. Querendo a saia emprestada sem precisar chorar para a Mamãe. Ser caçula é ser malvado, mas um malvado por bons motivos. O caçula cresce vendo o irmão mais velho. O irmão mais velho é pessoa mais foda do mundo para ele. Que Britney Spears o quê! Irmãos mais velhos fazem dos caçulas serem o que são, por pura inspiração. Não é inveja, não é querer ler o diário para contar tudo para a mãe. É só querer ver como escreve, como pensa, descobrir de quem ele gosta, como são as festinhas à noite – porque ir em festinha à noite era a coisa mais foda do mundo, e seu irmão mais velho fazia isso. Ser caçula é querer atenção, é ficar feliz, mesmo aos 19 anos, por o irmão mais velho pedir uma opinião na roupa que vai sair. Ser caçula é querer seguir os mesmos passos, mesmo que para chegar em destinos diferentes. É querer a mesma universidade, depois querer ir mais além… É ser guiado inconscientemente, desde quando o controle da TV era algo impossível e inacessível, mas te fez gostar de bons seriados e filmes.

Caçulas não são invejosos, é só que os irmãos mais velhos são, sabe, irmãos mais velhos!

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4 Comentários leave one →
  1. paula permalink
    06/09/2012 8:54 PM

    Espero que um dia as minhas menininhas possam se expressar desta forma…que lindo que e o amor…nao tive irmãs e sempre invejei isto, mas eu os cabeçudos dos meus irmãos!!!!!

  2. Gabriela Amorim permalink
    06/09/2012 5:20 PM

    É difícil responder à altura. Mas vamos tentar.
    A verdade mesmo é que mesmo sendo tão diferentes, sinto que somos só uma.
    Devo admitir que desde certa época, no meio da faculdade, retornei à nossa casa um dia e disse: ok, já não conheço mais ela.
    Você estava tão diferente. Acho que aquele momento comecei a perceber melhor a sua personalidade que estava se formando e se desenvolvendo de forma tão estranha à mim.
    Me senti intimada e com certo medo. Queria chegar mais perto e entender o que estava se passando. Desde então, cada vez mais me senti distante de você e vi você crescendo…crescendo! Já não era aquela “quessinho” que ficava emburrada cada vez que te chamava assim. Mas mesmo distante eu conseguia sentir o nosso fio conectado. Aquele mesmo fio que acionou quando você quis atravessar a rua e um carro quase te atropelou e eu por impulso fui correndo atrás de você e me joguei no chão machucando todo meu joelho. Ou mesmo quando você passou no vestibular e eu do outro lado do oceano gritei loucamente, como se fosse eu que tivesse passado. Talvez deve ser isso que une tanto os irmãos gêmeos. Os tornam inseparáveis de alguma forma. Deve ser isso que nós temos. Tão diferentes em alguns aspectos grandes até os pequenos como gostar de pizza de atum.
    Posso dizer que sinto o mesmo sentimento por você. Hoje você me inspira muito também. Que isso fique bem claro. Não é a qualquer um que confio a opinião para a roupa que vou usar…. hahahahaha
    Cada dia mais você me surpreende, e fico feliz que o sentimento é tão perfeitamente mútuo.
    Feliz nosso dia!

  3. noerli permalink
    06/09/2012 3:33 PM

    quem sabe agora eu saiba imprimir aqui que ser tia tbém é como irmã caçula, a gente quer saber e ver e seguir td…até aprender a escrever assim, aigual a vc.

  4. Sonia permalink
    05/09/2012 9:22 PM

    Bahzinha…Não é inveja eu juro, mas os dois apontadores eram lindos,tb queria um.
    Barbie… como era bom brincar c vcs de barbie, tb queria uma.
    Td a seu tempo…
    Minha filha caçula , minha filha mais velha, meu amor por vcs é igual é infinito…
    .Bj

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