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Luana e sua boneca

26/12/2012

Sim, eu ainda existo! Minha vida desde o dia das crianças, ou mesmo desde meus 20 anos completos, deu tantas voltas e tantos saltos que acabei esquecendo desse cantinho. Mas ontem foi Natal e apenas me perdoaria por deixar de aparecer aqui caso a única história que eu tivesse para contar fosse sobre o que eu me questionei durante a ceia, do porque escolheram o pobre do coitado do Peru para ser a estrela da noite, por exemplo. Mas juro, eu tenho algo mais legal para compartilhar do que esse questionamento.

Quando resolvi me desfazer de algumas peças de roupas estacionadas no meu guarda-roupa e vendê-las para pessoas que fizessem um maior proveito, já comecei a pesquisar preços de uma nova máquina fotográfica para mim, no estilo mais vintage de ser, uma polaroid. Foi nesse embalo que me deparei com um grupo do facebook, no qual eu já estava adicionada, sobre o Natal, e lá avistei um post de um pessoal que estava com algumas cartinhas de crianças carentes que acreditam em Papai Noel, assim como eu há muitos anos atrás. Foi aí que eu notei semelhanças entre eu, Barbara, quando com 3 aninhos de idade, para com todas as outras crianças que acreditam no bom velhinho. Lembrei de mim lá nos meus 5 aninhos escrevendo cartinhas relatando sobre como fui uma boa filha e boa aluna durante o ano que havia passado, e como merecia a boneca que falava 20 frases. Por fim, como essas crianças, eu acreditava na magia do Natal, e que mesmo sem chaminé em casa, era o Papai Noel que deixava os presentes embaixo da árvore.

Apesar dessas semelhanças tão lindas, tão sinceras e esperançosas, eu notei uma diferença que me deixou incomodada, e me fez no mesmo instante responder aquele post dizendo que eu queria uma cartinha, mudando o rumo do dinheiro das roupas estacionadas. Papai Noel não existe! Essa é a realidade, a qual traz junto outra, a de que as cartinhas que eu entregava para o meu Pai mandar para o Pólo Norte seriam lidas e atenderiam aos meus desejos, mas tantas outras cartinhas de outras crianças, com a mesma fantasia alimentada, não chegariam nem mesmo a serem lidas.

Não apenas eu, mas mais algumas poucas pessoas demonstraram interesse e recebemos em uma conversa dados principais de algumas cartas, para escolhermos aquelas que cada um quisesse, sendo estes o nome, idade e o que gostariam de ganhar. Eu queria uma menininha, e dentre os 5 nomes, tinham duas, uma já tinha sido escolhida, ela queria uma casinha de Barbie, e apesar de Barbies terem marcado minha infância, acho que por ironia do destino estava lá a Luana, de 3 aninhos, e que queria uma boneca de falasse e andasse. Tinha que ser ela! Só conseguia imaginar o rostinho de felicidade dela, assim como ficou o meu quando acordei em um dia 25 de dezembro com uma bicicleta (sem rodinha) no meu quarto, bem do lado da minha cama. Mas senti algo mais forte do que isso. Senti uma paz, uma alegria… Um sentimento gratificante, e eu nem havia comprado ainda o presente da mocinha.

Comprei a boneca no apuro da viagem que faria no fim da noite para São Paulo, correndo até o shopping, escolhendo pacientemente até mesmo a cor do vestidinho, e devo citar, certificando-me de que a boneca não falasse as frases ao mesmo tempo, pois eu bem sei a decepção que tive com a Sonho Azul. Infelizmente não existia uma boneca que andasse, falasse e que ao mesmo tempo coubesse no meu orçamento. Me redimi na cartinha do “Papai Noel” que escrevi para a Dona Luana, dizendo-lhe que a boneca era a mais linda de todas, assim como ela, e que ainda não sabia andar pois era novinha demais, entretanto iria aprender com ela, mas elas iriam conversar muito, e eu, bom velhinho, tinha certeza de que ela, Luana, iria cuidar muito bem da boneca, assim como sabia que ambas se divertiriam juntas. Afirmei no fim que, no próximo Natal, estaria esperando outra cartinha dela.

Espero que a Senhorita Luana escreva para o bom velhinho novamente para que eu possa ver seu sorrisinho no próximo Natal. Apesar de não ter conseguido ir junto entregar o presente, disseram-me que as crianças não conseguiam acreditar quando receberam, especialmente pelas condições de vida que estas têm. Imaginei novamente a semelhança da Barbara e Luana com 3 aninhos de idade e suas fantasias, assim como a simples diferença para o Natal delas: alguém que leia suas cartinhas!

cartinha1

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One Comment leave one →
  1. Arlette novelli permalink
    30/12/2012 12:31 AM

    Nada mais gratificante que fazer o bem a quem quer que seja ,neste ano também participei de um grupo arrecadando presentes para crianças carentes ,me senti realizada…

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