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retrocesso

07/01/2013

Alguém já ouviu falar em ditadura homossexual? Eu nunca havia ouvido falar e não poderia imaginar que essa expressão viesse um dia a existir. Pois foi ao abrir o facebook logo após o almoço que me deparei com essa e outras expressões que me deixaram com apenas uma palavra na cabeça, a mesma que nomeia essa publicação de pura indignação: retrocesso.

O mais incrível de tudo o que essas imagens podem dizer melhor do que qualquer legenda que eu tente criar é o fato de que finalmente o mundo parecia estar indo ao caminho da boa convivência, por mais que diariamente se tenha visto notícias sobre ataques homofóbicos ou mesmo ouvindo pessoas próximas falarem sobre homossexualismo no puro tom do preconceito homofóbico disfarçado. Mas sim, estávamos a caminho da boa convivência, apesar de tudo, o que posso chamar de respeito ou aceitação. Hoje felizmente eu não precisei ver pessoalmente a confirmação de que estava equivocada acreditando nisso, apesar de ter chego em Maringá justo no dia desse ataque. Sim, ataque. Ataque não mais ao homossexualismo, mas ataque ao ser humano. Entretanto, não só eu, mas inúmeras pessoas tiveram a infelicidade de estar nesse mundo, o qual mal começou o caminho para o respeito e já retrocedeu anos luz.

Não quero causar polêmica, até porque essas duas fotos já fizeram por onde durante o dia. Também não quero falar de religião, o que uma pensa e outra descrença. Quero falar do mundo. Quero falar sobre respeito. Um dia devo ter comentado com minha irmã sobre querer ser tantas coisas, experimentar inúmeros empregos diferentes, estar em vários lugares, passar por várias épocas distintas, e ouvi algo que já ouvira antes, porém foi naquele momento que compreendi seu real significado: Seu limite vai até onde começa o do outro. Entendi então que eu não poderia ter todos os empregos divertidos do mundo e que não faria sentido viver todas as épocas, porque outras pessoas querem aqueles empregos divertidos também, e alguns serão delas, como o outro será o meu. Não posso ter todos. A regra vale para as décadas que eu gostaria de ter vivido. E essa regra hoje para mim, do meu limite e seu limite, toma outras inúmeras aplicações, dentre elas, o retrocesso que nos vejo viver a partir de hoje.

Já que não adianta mais falar sobre o direito de ir e vir, do ser humano fazer o que lhe bem entender (desde que seu limite vá até onde o do outro começa, ou seja, não matarás, por exemplo), de ser feliz como ele é, de aceitar as diferenças, culturas e religiões, enfim, de vivermos com respeito mútuo, vamos falar sobre limites. De repente parece que fomos tão longe, não? Quando o limite se faz presente é porque algo foi longe demais. Respeito todas as religiões, afinal, tenho direito de acreditar no que bem entender, portanto ultrapasso o limite do outro ao desrespeitar outras crenças. Então, como não respeitar o modo de ser e as escolhas de vidas alheias? Seja por uma religião ou própria opinião formada.

Se alguém abortou o filho (ou feto) porque o pai estuprou a própria filha de 12 anos e a engravidou, é melhor ser excomungado do que conviver com uma crença que não consiga entender essa reação, entretanto, que aceite esse tipo de atitude pedófila, nojenta e violenta que ultrapassou um limite tão óbvio. Se quiser sair de dia de terno e gravata para trabalhar no merecido emprego e de noite cobrir-se de purpurina: cubra-se. O que mais respeito em um ser humano após me deparar diariamente com diversas notícias horrendas, é aquele que consegue ser o que realmente é. Feliz, simplesmente, independente de suas escolhas serem um padrão. Não é nem respeito o que sinto, é admiração. O limite dele ainda tem muita liberdade para ser abraçada desde que não ultrapasse o limite do alheio. É tão simples e nem é matemática.

Alguém se lembra da pergunta inicial? Qual é mesmo a ditadura que está acontecendo aqui? Retrocedemos tanto que até um termo aposentado voltou à tona.

Essas fotos foram tiradas hoje (7) duranta uma manifestação da Tradição, Família e Propriedade (TFP), organização católica tradicionalista e conservadora brasileira, a qual fez campanha em Maringá contra suposta “ditadura homossexual”, casamento entre pessoas do mesmo sexo e o aborto, na avenida Brasil.

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