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História de Maria

18/03/2013

Quando me escolheram para escrever a história da minha Vó, Dona Maria, senti um frio na barriga de tamanha responsabilidade que me tinham colocado nas mãos. Me senti tão responsável pois, além de saber que todos vocês iriam ouvi-la, e que muitos conhecem sua vida tão melhor que eu, é para e sobre uma das mulheres que mais admiro no mundo, para minha segunda mãe.

Aqui não represento apenas a neta. Represento aqui os filhos, as noras, os genros, os netos e os bisnetos, e apesar da imensa responsabilidade, me sinto honrada.

Então em outro domingo na casa da vovó, acompanhado de seu doce café, perguntei a ela onde nasceu e disso foram surgindo histórias incríveis de uma vida encantadora, da fonte mais confiável que poderia existir.

Maria Damin nasceu no Sul do Brasil, em Timbé – SC e lá morou até seus seis anos de idade. A família era dona de uma fábrica de bebidas nessa época. Certo dia, enquanto seu pai dormia em um banco, a fábrica entrou em chamas. A vizinhança toda se juntou para ajudar a conter e apagar o fogaréu. Existem suspeitas até hoje de que quem colocou o fogo foi um certo homem que estava bem embriagado naquela noite, e no meio da turbulência, sumiu no horizonte à cavalo.

Mas isso não foi nenhum impedimento para continuarem. Se mudaram de cidade e compraram um salão de festas, aonde eram realizados bailes constantemente e Maria, com seus 8 aninhos de idade, via o dia amanhecer dançando a noite toda. Nessa mesma época ela começou a estudar e a se apaixonar por isso.  Apaixonou-se tanto que na madrugada estudava com a luz do luar que entrava pela janela de seu quarto. Com 10 anos, aos domingos, ela dava aula por pura vontade para quem quisesse. E então surgiu seu primeiro sonho: ser professora.

Sua vontade era tanta que foi morar com sua Tia, em Jacinto Machado, para estudar. Com seu apelido não esquecido até hoje, Marreca ainda ajudava a fazer os pães, colocando-os antes de amanhecer o dia na forma para estarem fresquinhos e fofos pela manhã. Ficou por lá cerca de dois anos. Logo voltaria para o conforto de casa e mal sabia que começaria uma grande história de amor.

Tudo começou com uma carta que Tio Claudino levou para Maria, do remetente Manoel, seu vizinho, aonde a pedia em namoro. Sua filha Noerli conhece não apenas essa história, mas também os rascunhos das cartas feitas por ele, encontradas no “Jirau” da casa da Fazenda Último Rio. Quando lida a carta, Maria foi logo pedir um conselho para sua mãe, e ela apoiou sem sombra de dúvidas. Após três meses se vendo todos os domingos, se casaram. Um casamento que parece conto de fadas.

Manoel deu o tecido para o vestido e o sapato bege, assim como os que ele usou. Quebrando a regra do casamento, o Marido viu a Noiva antes de entrar na Igreja e chegou junto a ela em cima de um lindo cavalo. Aos 16 anos Maria Damin Oliveira estava casada. Apenas uma lembrança triste fica desse dia: o fotógrafo foi registrar um casamento em outra cidade. Porém mesmo sem fotografias, é só ouvi-la contar os detalhes que as imagens simplesmente surgem.

Com o sonho realizado de ser professora, ela se tornaria Mãe em 1951, quando Marli nasceu, e logo viriam mais filhos para completar a família. Erli, Noerli, Dorli, Vanderli, Jocerlim, Sônia, João Pedro e Lucir. Todos nasceram em uma fazenda em Santa Catarina.

Essa família se mudou para o Paraná em 1967 e construiu o que estamos vendo hoje nesse sábado. Família construída por Maria. Nove filhos. Cozinhar para nove, costurar, lavar, educar, socorrer, bater, parir, correr, pedir, sorrir, partir, repartir, permitir, induzir, conduzir e guiar. Professora, Mãe, Sogra, Vó, Bisavó. Tudo o que está aqui hoje é graças a você. Você é o motivo. Você é o exemplo de força, de vontade, de garra. Você acima de tudo é Mãe, seja do filho, neto, seja do genro ou bisneto. Você é a força para as horas difíceis que essa família já enfrentou. Você é o maior motivo de encontro. Você é quem consegue transformar o local em lar. Você  inspira todas as pessoas que estão aqui hoje. É você, sem mais!

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One Comment leave one →
  1. Thainara Oliveira permalink
    20/03/2013 11:28 AM

    Maravilhoso Barzinha, ainda mais pra quem ouviu tu ler no dia essa história da nossa querida e linda vovó Maria, emocionante, sem mais!

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