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joie de vivre

28/01/2014

Hoje eu vou contar uma história de amor.

Eu preciso confessar que nunca achei que levaria jeito para cuidar ou saber realmente o que fazer ou não com crianças e adolescentes com alguma deficiência física ou mental. E acho que sempre pensei que não levaria jeito porque os considerava pessoas muito especiais, e no mais belo sentido da palavra. Além disso, é inegável que muitos deles necessitam de cuidados e atenção especiais, paciência e etc. Mas hoje eu acho que disso, toda criança ou adolescente precisa. E eu imaginava que eram necessários conhecimentos específicos e muito estudo para conseguir ser o melhor possível para eles. Imagina então nem falar a mesma língua ou mesmo entendê-la. Em menos de uma semana, entretanto, eu descobri que isso tudo acaba sendo apenas um extra. E descobri isso pelo simples fato de que o que os pupilos, como os chamamos aqui, precisam, ou a principal ferramente para fazê-los felizes é o amor. E isso não é só da boca para fora, não é para tornar uma simples estória em uma história de amor, através de belas palavras. Eu lhes confesso isso porque é o que estou descobrindo a cada dia que tenho o privilégio de estar ao lado de pupilos tão incríveis como estes, os personagens dessa história de amor que vou contar.

Nos primeiros momentos quando comecei o trabalho junto com a Fernanda nessa ONG, chamada Joie de Vivre, eu preciso admitir que fiquei com medo. Medo de passar seis semanas apenas olhando cerca de 100 crianças em variadas aulas, sem conseguir me comunicar, ajudar ou entender. Três professores apenas falando um inglês não tão perfeito assim, e todo o resto apenas se comunicando em francês ou árabe. Todas as listas de horários ou qualquer outra coisa, em árabe. Sim, eu fiquei com medo por alguns instantes. Mas aí, eu resolvi encarar aquilo e ver no que ia dar, por mais perdida que eu estivesse lá. Então passeando pela ONG, tentando encontrar alguém que falasse inglês ou uma luz para mim, eu achei a sala de aula de reciclagem e resolvi entrar. Foi aí que conheci duas professoras adoráveis, e que felizmente, falavam inglês. Me receberam muito bem e conheci outra pessoa encantadora. O Aziz. Não sei o que aquele pupilozinho de 12 anos gostou tanto em mim, também não sei como de alguma forma a gente conseguiu se comunicar. O que eu sei é que hoje eu sinto falta quando o preguiçoso não vai na aula, que ele fez um desenho adorável de mim, nunca me deixa ir embora da sala dele e que só perguntava de mim nos dias que tive que viajar e não pude ir ao trabalho. Ah, e ele também adora dançar, simplesmente não para.

Mas entre eles, existem outros inúmeros pupilos que parecem precisar apenas de amor e alguém que acredite neles para serem felizes. Eles sorriem à todo momento, sério. Nunca conheci pessoas tão sorridentes. Também nunca conheci pessoas que com um play no som começam a dançar e pular sem medo de julgamento. Não conheço também muita gente que mesmo com as pedras que a vida nos coloca no caminho conseguem fazer muito além do que todo mundo pode acreditar. E eu vejo isso diariamente com meus próprios olhos. E acreditar e dar amor a eles me traz a retribuição de beijos, abraços, sorrisos. Me traz pupilos dizendo em árabe, francês e às vezes até em inglês que me amam e que sou sua nova amiga. Ganhei muitos amigos nessa última semana, aliás. Eles não ligam para a roupa que você veste ou se se cabelo não é a coisa mais linda do mundo. Eles só precisam de um sorriso. Às vezes nem isso, aliás, pois eles podem começar com um sorriso e você nem se esforça para retribuir. São artistas, são sorridentes, amam dançar. Alguns são quietinhos, observam, falam baixinho. Uns são mais espertos, outros mais de boa. Mas todos, todos eles, só precisam de amor.

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Essa ONG, Joie de Vivre, é um ambiente encantador não apenas para os pupilos, pois eu me encantei com tudo o que via nela. E quem nos apresentou muito bem tudo isso, foi a coordenadora geral. A ONG tem como proposta colocar os pupilos na sociedade, e eu posso dar exemplos. Existe um que esteve lá desde criança e hoje parece não ter deficiência alguma, sendo inclusive um dos que trabalham por lá. Além disso, o objetivo de muitas aulas é torná-los profissionais e sair para o mundo, para a sociedade. Uns estão no caminho de serem pintores e outros cabeleireiros, e com muito mérito, eu posso garantir. Fazer com que as mães desses pupilos possam ter um tempo para descanso, trabalhar sem preocupações, também é um objetivo. Por fim, fazer essas crianças se sentirem livres e felizes durante o período de aula, além de se sentirem capazes, mas não apenas se sentirem, e sim serem capazes, porque elas são. Em casa muitas não podem pular, dançar ou se expressar, seja através de arte ou de suas maneiras únicas. Lá elas são elas e o amor é que as fazem ser assim.

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A ONG proporciona aulas de esportes, dança, pintura, corte e costura, reciclagem, computador, vídeo, criação de objetos com argila, etc. E todas elas buscam ensinar algo, como números, nomes, cores, formas. Tudo é muito bem pensado pela capacidade das crianças, tendo cada aula adaptada para que seja o mais produtivo possível. Eu fiquei encantada no quanto a criatividade e liberdade de expressão são estimulados em todas as atividades da ONG, até mesmo na hora do almoço que aprendem a levar o pratinho na cozinha, serem independentes. Depois de ver tudo isso em 4 dias de trabalho, eu e mais 4 intercambistas dessa ONG, e outros 5 que estão em outra, infelizmente muito mais precária e com necessidades, me vejo muito estimulada a mudar ainda mais a vida deles e ajudar essas organizações que vivem para fazê-los felizes. Hoje foi o dia em que sentamos os 10 e colocamos todas nossas ideias para ajudar ambas as ONGs, para conseguir doações, fundraising, novas atividades nas aulas, entre muitas outras coisas.

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Um intercâmbio social é uma responsabilidade imensa consigo mesmo, não apenas com a ONG que você está trabalhando por algumas semanas. Na realidade, se não fizer nada, não irá piorar ou melhorar coisa alguma, ficará tudo na mesma. Por isso a responsabilidade maior é consigo mesmo. Eu sinto que vim viver essas experiências pela razão certa e hoje me sinto no caminho certo. Alguma diferença eu sei que irei fazer, e isso junto a gente de cada canto do mundo que também tem sede de fazer a diferença, seja importante pra um, para dez ou para 1000.

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2 Comentários leave one →
  1. Gabriela permalink
    03/02/2014 5:03 PM

    Faz a diferença na vida deles, e consequentemente muda a a forma de ver a sua vida também!

  2. 29/01/2014 1:45 PM

    * * *You are welcome to ” Joie de Vivre”. this is a very good article and very good words and good luck good contuniation <3 So Thank you .very nice my sisters Barbara ,Fernanda Guarnieri

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